2008-08-29

03/III - TUFFI, O ELEFANTE EQUILIBRISTA - VERSÃO PARA PORTUGAL


*
Disney

DUMBO – ELEFANTES COR DE ROSA

https://www.youtube.com/watch?v=Gd4WJeAs4wk

 

                            
 
 
Welington Almeida Pinto
 
Numa linda manhã de Verão, Tuffi tomava banho na Lagoa dos Bichos, quando sentiu uma leve bicada numa das orelhas. Era Clin-Clin, o beija-flor, que acabava de chegar.
- Olá... Tuffi, como estás?
O elefante ergueu a tromba, todo risonho:
- Olá! Está tudo bem.
- Novidades?
- Tenho. Voltei a ensaiar um número que apresentava no circo.
- Qual?
- O das garrafinhas de madeira. Ainda consigo equilibrar-me em cima delas, acreditas?
- Hummmm! Devem ser uns garrafões bem grandes para aguentar o teu peso, certo?
- Nada disso, garrafinhas assim..., assim... do tamanho das garrafas de refrigerantes, só que de madeira.
- Boa! E como suportam um animal tão pesado?
- Em pé, aguentam até mais do que o peso de um elefante.
- Xiiiii, porquê?
- Queres saber?
- Claro.
- O segredo está no desenho da garrafa. Sabias que todo o objecto cortado no sentido da fibra da madeira fica mais resistente?
- Não, não sabia. Gostei de saber, mas ainda não estou totalmente convencido.
- Pois bem, amigo, queres ver a minha apresentação?
O beija-flor balança o rabo, num gesto de desconfiança.
- Quero. Só vendo para acreditar.
- Vamos lá.
Tuffi enche a tromba de água e esguicha o líquido no seu corpo, como se fosse um chuveirinho. O beija-flor, ainda pousado numa das orelhas do elefante, acha muita graça do jeito desengonçado do amigo tomar banho. Em seguida, com a tromba em pala protegendo os olhos do sol, o elefante chama o passarinho para ir até o pátio, onde treina a arte circense.
Ao chegar lá, Clin-Clin observa mais uma vez:
- Ainda acho que um bicho do teu tamanho deve manter as patas no chão. Mais seguro, não achas?
- Ah, é? Falas assim porque nunca me viste num picadeiro de circo; fazia o maior sucesso com essa apresentação.
- Nem consigo imaginar...
- Garanto que vais gostar.
Na floresta não faltava público para ver o elefante artista. Bastava ele chegar ao pátio que logo apareciam os bichinhos das redondezas: alados, da terra; até mesmo os curiosos que passavam no momento. E assim, os felizes espectadores, cada um lutando por um bom lugar para assistir ao show, acocoravam-se nos barrancos, nas pontas das pedras ou se acomodavam nas ramagens da clareira. E se algum ramo balançava com mais força, o motivo era outro: lutas entre passarinhos ou saguis acostumados a zangar-se por um lugar melhor para ver o espectáculo.
Em pouco tempo, Tuffi dispõe as garrafinhas na parte mais plana do terreno, como se fosse o lugar do picadeiro. E, com pose de artista, começa a anunciar:
- Respeitável público!... A todos que me assistem, bem-vindos ao mundo fantástico do circo, o número vai começar!
Depois de ouvir o elefante, os bichos ficam caladinhos cheios de expectativas. Nenhum pia. Nenhum grunhe, nem crocita, porque qualquer barulho poderia atrapalhar a concentração do elefante acrobata. Satisfeito com tudo, ele começa fazendo um S delicado com a tromba e, após a aclamação, com a destreza surpreendente em um animal tão grannnnnnnnnde..., suspende uma das patas dianteiras e coloca-a sobre o bico da primeira garrafa na sua frente. Em seguida, com a mesma habilidade e elegância, põe a outra sobre a segunda garrafa e conclui a primeira parte da exibição.
A plateia delira e aplaude novamente o artista; cada um de sua maneira, é claro. O paquiderme, para agradecer, balança a tromba várias vezes no ar. E, em seguida, anuncia:
- Atenção! Atenção! Ilustres espectadores, esse é o momento mais difícil do meu número.
O silêncio volta em todo o pátio. E cresce a expectativa entre os bichinhos que esticavam mais ainda o pescoço para melhor apreciar a cena final. Então, com aquela destreza de quem já trabalhou muitos anos no circo, Tuffi pousa uma das patas traseiras sobre o gargalo da terceira garrafa e, logo depois, completa a cena. Um sucesso! A plateia entusiasmada torna a aclamar calorosamente o elefante equilibrista.
Eufórico, do alto das garrafinhas, ele grita:
- Viva o circo! Viva a alegria! Viva a vida!
Clin-Clin, de bico caído, aproxima-se do companheiro:
- Meu Deus! Nunca vi nada mais bonito!
- Eu não disse que ias gostar!
- Nem sei como agradecer. Foi maravilhoso, amigo. Fan-tás-ti-co!!!
- Venci desafios. Para um velho elefante precisei de muita força de vontade para superar um a um. Óptimo, não é?
- É sim. Aposto que, com esse talento, vão contratar-te outra vez para um circo.
- Quem sabe? Agora, podemos voltar à lagoa e comemorar... o que achas, Clin-Clin?
- Boa!
Com a mesma agilidade, o rugoso animal desce das garrafinhas de madeira e o beija-flor voa para uma de suas orelhas. Assim, os dois voltam a se banhar na lagoa, acompanhados por uma procissão de bichos fãs do elefante e embalados pelo “cricricri” metálico de uma revoada de grilos.
Na transparência das águas, onde os raios de sol deitam faíscas de prata, Tuffi e Clin-Clin passam o resto do dia divertindo-se com os animais de outras espécies numa festa cheia de alegria e muitas brincadeiras e recordando sempre as palavras:
- Venci desafios. Para um velho elefante precisei de muita força de vontade para superar um a um. Óptimo, não é? ”

FBN© 2004 * Tuffi, o Elefante Equilibrista/Categoria: Conto infantil – Autor: Welington Almeida Pingo - Versão para Portugal, adequada pela escritora Tereza Pombo/Lisboa – Link: http://outrashistoriasdebichos.blogspot.com.br/2008/08/felicidade-aqui.html

 

 

 
 
 


2008-08-17

04/IV - COELHINO TROVADOR E O SOL

*
O mundo Está Mudando Muito Rápido
 
                      *

 
Severn Suzuki

A adolescente canadense que chamou a atenção de todos nós para os erros sistemáticos na sociedade mundial.
 Seu discurso calou o mundo por 5 minutos na Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (CNUMAD). Rio de Janeiro, em junho 2009.
 




 

Welington Almeida Pinto

 

Havia, no tempo em que os bichos falavam um coelho conhecido pelo nome de Coelhino Trovador. Vivia no Chapadão da Zagaia, próximo à nascente do Velho Chico, o grande rio São Francisco que nasce na Serra da Canastra.

Sabido como nenhum outro da sua espécie, toda manhã, ele fazia uma deferência ao Sol, recitando um versinho de agradecimento:

 

Vem, Sol amado,

a Serra da Canastra alumiar.

Os seus raios quentinhos e cromados

Todo dia descem do céu para nos agasalhar.

 

 

Para o coelho, o Sol era a coisa mais bonita que tinha nas alturas. E assim pensando, certa manhã, acordou louco para ver o astro-rei bem de perto. Não deu outra, logo partiu para a sonhada aventura. Viajou horas e horas sem parar até que, de tão cansado, tropicou numa raiz exposta de um pé de Araticum, bateu com a cabeça numa pedra e caiu desacordado. Pobre coelho! Imediatamente começou a sonhar que, em vez saltitar, voava como um foguete até ficar cara a cara com o Sol, que o recebeu com um sorriso cheio de alegria:

- Olá, amigo Coelhino!

- Olá, Sol querido. Muito legal ver o amigo assim tão de perto – responde todo eufórico o roedor.

- Obrigado.

- Quero agradecer a luz e o morninho gostoso que manda para a Terra quase todo dia.

- Não precisa agradecer. Levar energia e calor para as criaturas da Terra é a minha mais nobre função.

Pausa. Coelhino retrai o sorriso:

- Só não gosto mesmo quando você fica muito tempo sem aparecer lá no Chapadão.

- Por quê? – admira o astro surpreso.

- Ah, sô, porque chove demais da conta!

- Não gosta das chuvas?

- Elas sempre atrapalham a vida dos bichos.

- Hein?

- Em dias chuvosos mal boto o focinho para fora da toca, tenho medo de morrer afogado. Fico lá torcendo e doidinho para você aparecer de novo.

- Ora, amigo, sem as chuvas a Terra não pode nada, nem de florir será capaz.

- É. Mas...

- Então você precisa conhecer importância da chuva caindo no seu planeta. O que acha?

- Uai, acho bom.

O sol abre um sorriso imenso e começa a explicar:

- Está vendo essa quantidade de nuvens aqui em cima?

- Amo as nuvens. Lá de baixo, meu passa tempo preferido é ver as figuras que elas formam no céu.

- As nuvens são muito mais do que isso.

- Ah é?

- Formadas pelas águas que vem da Terra, todas essas nuvens se transformam em chuvas, que se precipitam para regar e controlar a energia que entra e sai de seu mundo terrestre.

Coelhino curioso, logo pergunta:

- Meu Deus, como tanta água vem parar aqui em cima?

- Através da transpiração dos vegetais e da evaporação dos rios, mares e lagos. Isto é, sobe em estado gasoso – responde o Sol.

- Nossa!

- Para entender melhor, preste atenção: aqui em cima a umidade passa do estado gasoso para o líquido, congela e forma esse imenso bloco de gelo que estamos vendo, um verdadeiro mar voador.

- Tudo isso é gelo?

- Sim, gelo. Água em estado sólido.

- Então me explica como é que chove pingos d’água lá embaixo?

- Com a força da gravidade os cristais de gelo despencam céu abaixo. Na queda degelam e viram gotinhas de água, isto é, voltam ao estado líquido para molhar a Terra novamente. Simples, não é?

Coelhino, admirado:

- Não tem perigo de tudo isso despencar de uma vez na nossa cabeça?

- Controlo tudo numa boa. Fique tranquilo.

- Então por que, de vez quando, chove quadradinhos de gelo?

- É a chuva de granizo. Acontece quando gotinhas de água se congelam novamente ao atravessar uma camada de ar frio. Entendeu?

- Legal! Quando cai uma chuva assim pelas bandas da Serra da Canastra, não tem diversão mais deliciosa do que ficar lambendo o gelo que vem do céu. Coelho adora.

- Sim.

- Então me fala daquela chuvinha teimosa que cai dias e dias sem parar.

- Essa é Chuva Criadeira. Sua função é molhar bem o solo para as plantas crescerem viçosas.

- Tem mais tipos de chuva?

- Sim. Anote aí: Ciclonal, Convecção, Relevo.

- Deus do céu, que chuvarada!

De repente, o Sol tranca o sorriso e alerta:

- Mas a coisa aqui em cima não anda nada boa. Cada dia fica mais difícil manter esse ciclo da água de forma regular.

- Como assim?

- Tudo por causa do seu planeta cada vez mais poluído, mais remexido.

- Remexido?

- Isso mesmo, re-me-xi-do – repete o Sol com a voz alterada. - O bicho-homem precisa tratar a natureza com mais respeito e parar de agredir o meio-ambiente com tanta violência.

- Precisa, sim.

- Só mais uma coisinha. Você sabe que, cientificamente, a água é encontrada em três estados: sólido, líquido e gasoso, certo?

- Isso.

- Por minha conta e risco acrescento mais um. Quer saber?

- Qual?

- Estado Crítico – critica o sol em tom altivo, de modo a ser ouvido por todo mundo.

- Oh, sim!

- Quer dizer, água poluída e imprópria para a vida.

- Vixe

- É necessário parar de destruir florestas, remover montanhas, desviar rios, poluir águas potáveis, e de contaminar o ar. Arre! Até parece que, para o bicho-homem, a Terra não gira em torno do Sol, gira em torno do seu umbigo.

- Deus me livre e guarde! Uma coisa eu garanto, bicho no mato não faz nada disso – apressa o coelho.

O Sol, ainda com o carão franzido.

- O bicho-homem despeja na minha cara toneladas e toneladas de gases nocivos à camada de ozônio. Ufa! Todo santo dia é a mesma coisa!

- Camada de ozônio! Que isso?

- São os gases bons que protegem a terra dos raios solares. Funcionam como um manto de proteção, uma espécie de filtro solar. Acontece que esse manto protetor está cada vez mais destruído pelos gases nocivos que sobem da Terra. Melhor dizendo, cada vez mais arrasado pela poluição desenfreada provocada por essa gente lá embaixo.

- Imagino.

- Estupidez! Pura estupidez! - adverte o astro-rei, recolhendo um pouco mais seus raios.

E continua:

- O ser humano moderno usa cada dia mais objetos descartáveis, feitos de material que leva anos e anos para decompor. Falo do material plástico, conhece?

- Hummm! Claro que sim.

- Esse lixo costuma ir direto para o leito dos rios, degradando as águas e tudo em redor.

- Iche! Então é por isso que os rios estão, cada dia, mais rasos, sujos e malcheirosos?

- Sim, claro. Para piorar tudo, o bicho-homem inventou um monstrinho que roda sem parar para todo canto, esbanjando satisfação em contaminar impiedosamente o meio ambiente.

- Monstrinho?

- Essa máquina que eles chamam de automóvel, não conhece?

- Ah, sim. Vive atropelando bichos por onde passam.

- O próprio.

- Morro de medo deles.

- O pior que cada dia esse monstrinho aumenta sua população, uma praga.

- Verdade.

- Verdadeiro caos ecológico! Para ser gerado é preciso transformar montanhas inteiras de pedra-ferro em lata e, como se não bastasse, ele se alimenta do petróleo que vem das profundezas da terra ou do mar. A partir daí, o tal monstrinho inunda o céu de gás para infectar mais ainda a atmosfera terrestre. Um demônio!  Lança no ar poluição que afeta gente e bichos sem dó.

Pausa. Coelhino, depois de uma longa reflexão, pergunta aflito:

- Que é que o amigo Sol imagina fazer?

- Não sei. Não sei. Até porque sem a colaboração dos humanos não posso fazer muita coisa.

- Ã-Hã!

- Para restabelecer o equilíbrio ecológico é preciso reduzir o lixo, reaproveitar ao máximo os materiais e reciclar tudo que for possível. Não tem outra maneira de salvar seu planeta, viu?

- Muito bem. Ainda bem que não imagina nos abandonar, não é mesmo?

- Claro que não. Apesar de tudo ainda tenho especial carinho pela Terra. Farei o possível e o impossível para manter a vida lá, mandando energia para as plantas crescerem saudáveis. Não é o que você mais gosta?

- Hummmm! Adoro saborear um capim bem verdinho.

O Sol, mais calmo, volta a expandir seus raios:

- Sabia que essa plantinha saborosa que você tanto gosta é o resultado da fotossíntese?

- Foto o quê?

- Fotossíntese. O processo de converter energia luminosa em energia química para alimentar as plantas.

- Que legal! Então as plantas se alimentam de raios de sol?

- Também.

- Como é isso?

- Pela reação de três elementos: clorofila, água e gás carbônico. Sem a fotossíntese, ser vivo nenhum poderia viver na Terra.

- Puxa, que aula!

- Meu amigo Coelhino, enquanto depender dos meus raios terá chuvas suficientes para você comer folhinhas tenras de capim bem nutrido. Eu prometo.

O coelho levanta as orelhas.

- Coisa boa! Assim fico mais sossegado.

E brinca:

- Então é o dono da vida?

- Sou dono da luz, do calor e da energia para garantir a vida na Terra, o único planeta, dos que orbitam em torno de mim, que tem essa mordomia.

- Caramba!

- Fique sabendo que eu, o Sol, sou uma das maiores fontes de energia do Universo. Não cobro nada por isso, apenas peço um pouco mais de esforço dos humanos para não atrapalhar o meu trabalho aqui em cima.

- Legal.

- Sabe de uma coisa, Coelhino, penso que o bicho-homem tem muito que aprender com os bichos do mato, principalmente, como zelar da casa em que mora, não é?

- Concordo.

O Sol, cheio de si:

- Não fique chateado com minha ausência nos dias em que o céu parece forrado de camadas de algodão sujo. Nesses dias, estou jogando os raios em outras regiões da Terra para que o ciclo não se interrompa, viu?

- Quer saber, amigo? Preferia sol e chuva ao mesmo tempo.

- Espertinho, hein? Faço isso no ‘casamento da viúva’, como forma de simbolizar o renascimento da fertilidade. Então, para agradar meu amigo, de vez em quando, posso mandar ao Chapadão chuva e sol na mesma hora.

- Positivo! Obrigado, magnífico astro, por me ensinar tanta coisa que não sabia.

O Sol volta a sorrir. E revela:

- Sabe que é um coelho danado de inteligente. Quero agradecer as “quadrinhas” que recita para mim.

- Uai! Escuta de tão longo assim?

Quando o Sol ia responder, o Coelhino recobre os sentidos. Ainda sonolento, o pelo eriçado, pensa que nunca sonhou com nada parecido. Meio zonzo meio espantado fica de pé sobre as patinhas traseiras, protege os olhos com uma pata dianteira e, com a outra, dá um longo adeus ao amigo Sol, pronto para se por. Todo contente, verseja:

 

 

Adeus, Sol amado,

Volte amanhã a mata aquecer.

Os bichos alegres e encantados,

 Tem muito que agradecer.

 

 

O astro rei até parece que ouviu. No mesmo instante abriu um sorriso brilhante e espalhou o foco amarelo dos raios solares pelos quatro cantos do Chapadão. O coelho arredonda mais ainda os olhos, admirado.

- Trem de doido, sô!

E depois de pegar estrelinhas no céu com as patinhas dianteiras, esquece a dor no cocuruto e parte saltitante de volta para casa, ainda arrebatado com a sonâmbula aventura.

 

 


 
FBN© 2008 * COELHINO TROVADOR E O SOL/Categoria: Conto Infantil – Autor: Welington Almeida Pinto. Nova redação, de acordo com os atuais PCNs, contextualizando a narrativa original do livro publicado com o nome “Seu Coelhino, em Viagem ao Sol”, em 1993 - Edições Brasileiras. Ilust.: Severn Suzuki http://www.youtube.com/watch?v=uZsDliXzyAY - Link: http://outrashistoriasdebichos.blogspot.com.br/2008/08/o-ataque-do-gavio-mateiro.html
 
 
 
 
 
            Conquistando a Linguagem
                            Compreensão do texto
 
Atividades/Responda em folha anexa:
 
1) Desenhe o Sol.
2) Copie o trecho em que Coelhino caiu, perdeu os sentidos e começou a sonhar.
3) Qual a importância do Sol para a vegetação?
4) E para as espécies animais, o Sol também é importante?
5) Vamos fazer duas pesquisas. Uma sobre Sol e outra sobre família dos Oryctolagus Cuniculus (coelhos).
6) Você conhece outro poema ou letra de música que fale sobre o Sol? Qual?
 
Para a Professora
 
Reflexão:
* A Terra insultada, vinga-se dando flores - Tagore
* A discussão não é apenas salvar o meio ambiente, mas a própria humanidade. O planeta corre enorme perigo com a ação do homem.
* Reciclar lixo é tão importante para o ser humano como respirar
 
 
 
Motivação:
 
* Converse com os alunos sobre Poesia.
* Fale da forma sensível com que é descrito o sentimento.
* Faça a classe recitar, em coro, os versos do texto.
* Ensine as crianças a proteger o meio ambiente, tipo plantem árvores, porque elas consomem CO2 e transformam o oxigênio em energia, através da fotossíntese. O que uma criança aprende, logo multiplica a informação entre a família e amigos.
* Mostre que ela deve crescer respeitando a vida nos rios e avaliar os riscos de atitudes assim para o meio ambiente.
* Comente sobre as chuvas citadas e ainda sobre a Chuva Artificial provocada pelo homem.
* Mostre que a Terra é um organismo vivo e o homem é o seu maior predador.
* Vocabulário: selecione verbetes desconhecidos e oriente a consulta no dicionário
 
Educação Ambiental:
 
* Explique a importância do Sistema Solar.
* Fale mais sobre as chuvas.
* Ensine maneiras de respeitar e contribuir com o meio ambiente.
* Mostre a importância da reciclagem de papel, plástico, mineral e vidro.
* Cuidar do planeta em que vivemos: apesar de não haver obrigação do ponto de vista legal, acaba sendo compromisso moral.
 
Principais flores da Serra da Canastra:
• Lírios
• Flor de Jade, Macela
• Flor sempre-viva
• Hibisco Branco
• Ipê Amarelo
 
 
Para sabe mais:
 
* Chuva Ciclonal - características das áreas de baixa pressão em virtude da constante ascensão das massas de ar.
* Chuva de Convecção - oriunda do movimento ascendente diurno das massas de ar, freqüente na região equatorial e nas montanhas.
* Chuva de Relevo - típica das encostas das montanhas ou escarpas de planaltos, por causa da mais baixa temperatura reinante nos trechos de maiores altitudes.
* Chuva Criadeira - aquela constante que todo fazendeiro adora, pois molha bem a terra para as plantações.
* Chuva Artificial - resultante da projeção, numa nuvem, de substâncias como iodeto de prata e o cloreto de cálcio, agentes químicos capazes de promover a multiplicação de cristais de gelo ou a solidificação de gotas de água evaporadas.
 
 
PCNs – PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS
 
* História de acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ministério da Educação, certificada pela Diretoria de Desenvolvimento da Educação Infantil e Fundamental da Secretaria de Estado da Educação de Minas Gerais, conforme ofício nº 39/02, de 22 de janeiro de 2002.
GÊNERO: aventura científica.
 
TEMAS TRANSVERSAIS:
* Ética: relacionamento de animais e a natureza.
* Geografia e Ciências: espécies animais e vegetais do Brasil – região da serra da Canastra – fenômenos da natureza.

 
 

O5/V - O GAVIÃO-MATEIRO E O CAXINGUELÊ

*
AVES DE RAPINA
 

           

 
Welington Almeida Pinto
 
O Gavião-Mateiro, astuto como nenhum outro, todo dia visitava a Floresta da Tijuca atrás de uma boa presa. Ardiloso na arte de perseguir e capturar os pequenos animais, sempre saia vitorioso na sua caça diária.
Para os bichos miúdos da região, a presença daquela imensa ave era ‘um deus nos acuda’. Cada um mais assustado do que o outro, escondia-se como podia em moitinhas de capim, montinhos de pedras, tocos de madeira ou buracos nos barrancos para se livrar das garras afiadas do predador.
Um dia, porém, cansado de viver ameaçado, o Caxinguelê resolveu reunir em sua toca um grupo de animais perseguidos pela ave, pensando encontrar uma maneira de acabar com a terrível ameaça do astuto Gavião.
Muitos comparecerem. E o primeiro a falar foi o Caxinguelê. De cima de um banquinho na sala de sua casa, ele deu seu recado:
- Companheiros e companheiras, desde que apareceu esse Gavião na região, o sossego acabou entre os bichos da floresta, não é mesmo?
- Siiiiimmmm – gritou em coro a bicharada, eufórica.
- Mais do que nunca – continua o Caxinguelê - precisamos fazer alguma coisa para espantar esse monstrengo do nosso pedaço. Caso contrário, ele vai acabar com nossa raça.
- Siiiiiiiimmmmm!
 Em seguida o Preá se manifesta enérgico:
- Isso mesmo, precisamos por fim na festa desse gaviãzinho metido a besta. Ele é um bicho do mal.
- É uma ave perversa como nenhuma outra – afirma o Esquilo, enquanto sacudia a calda em sinal de apoio.
A Saracura levanta a crista, meio incrédula:
- Tenho cá minhas dúvidas se podemos com essa criatura. O bicho é muito forte. E, por cima, voa.
- Precisa temer não, comadre, somos ágeis, espertos e inteligentes para vencer qualquer inimigo. Estamos aqui para formar um batalhão de bichos que vai encarar o Gavião-Mateiro e acabar com sua valentia.  A união faz a força, pode crer - garante o Caxinguelê.
- Sei não! – duvida a Coruja empoleirada num cantinho da sala.
Do outro lado, a cobra ergue a cabeça envenenada:
- Dou a maior força. Não gosto dessa ave de jeito nenhum.
A reunião dos bichos atravessou a madrugada. Depois de muita discussão, ficou decidido que seria construída uma armadilha para laçar o Gavião-Mateiro pelas pernas e deixá-lo preso até que a maioria dos bichos perseguidos decidisse o que fazer com o celerado.
O Esquilo, que observava tudo em silêncio, pergunta meio desconfiado:
- Armadilha? Tudo bem, mas quem vai ficar de isca para atrair o Gavião?
- Você mesmo – aponta a Jiboia, rindo.
- Eu!!!...
O Caxinguelê, de focinho levantado:
- Amigo, não se preocupe que eu fico como chamariz.
Todos aplaudem a coragem do roedor. Então ficou acertado que o Bem-te-vi, que é um pássaro acostumado a voar nas alturas, logo cedo, assumiria o posto no galho mais alto da mais alta árvore da floresta para dar o alarme, assim que avistar o Gavião na área.
Por outro lado, o João graveto, como é o melhor arquiteto na construção de casa de pauzinhos, teve como tarefa a construção de uma gaiola bem segura para proteger o Caxinguelê dentro dela. O Esquilo, acostumado a subir em árvores, ficou com a missão de encontrar um cipó bem longo para fazer o laço.  E o Tatu, que fura o chão com esperteza, teria que abrir um buraco bem fundo para encravar uma estaca para segurar a armadilha.
Por fim, a Jiboia, versada em botes fatais e rasteja como nenhum outro bicho, ficaria com a tarefa de escolher o local de execução do plano, porque era dela o trabalho de puxar a ponta do laço. Vaidosa, ela logo concorda:
- Positivo, meus camaradas.
O caxinguelê, todo satisfeito:
- Então, companheiros, está marcada para amanhã a captura do Gavião. Certo?
Todos concordaram. Mal o dia mal amanheceu, muita coisa já tinha sido feita no local escolhido para construir a armadilha. E, no meio da manhã, tudo já estava pronto para capturar a ave de rapina. Alegres e cheios de expectativas, dezenas de bichos, começaram a procurar um lugar seguro entre a folhagem para se camuflar e ficar ali torcendo pelo o sucesso da missão.
Pouco antes das duas da tarde, o Gavião-Mateiro apareceu na Floresta da Tijuca. Atento, o Bem-te-vi soltou os primeiros trinados para alertar os companheiros. Como o atrevido não desconfiava de nada, todo cheio de si, ele planava fazendo longos voos rasantes para facilitar à investigação dos olhos, e marcar no chão a presa mais fácil de apanhar. Em pouco tempo avistou o Caxinguelê na gaiola. Sem suspeitar de coisa nenhuma, o predador pousou perto do roedor que fingia estar muito amedrontado. Imediatamente a ave de rapina começou a bicar nas varetas da gaiola, certa de que seu almoço estava bem na sua frente.
Não muito distante dali, dissimulada no meio de folhas secas, a Jiboia, mais prevenida do que nunca, ao ver que o predador tinha colocado os dois pés no centro do laço, não teve dúvidas, puxou com toda força a ponta do cipó e prendeu a ave grande pelas pernas.
Ao se ver assim amarrado, o Gavião ficou doido de raiva. Num mexe-mexe aflito do corpo, pegou a bater as asas, desesperadamente, piando na maior altura:
- Seus malucos! Traiçoeiros!
No mesmo instante a população de bichos saiu desembestada do mato. Na maior euforia todos caíram de unhas, dentes e bicos em cima do malfeitor, pelando-o em pouco tempo.
- Uh! Lelelerêêê... Morte ao predador! Uh Lelelerêêê, morte ao predador! – gritavam todos.
O Caxinguelê saiu da gaiola e parou diante do Gavião, festejando:
- Coisa boa! Ano após ano nos perseguiu, agora chegou a vez da caça comemorar. É nosso prisioneiro e todos aqui querem sua morte, viu seu enxerido?
Ao perceber a situação ruim para seu lado, o Gavião para de rebater e pergunta:
- O que pretendem fazer comigo?
- Todos querem vingança. Queremos acabar com seus ataques de maldade na Floresta da Tijuca.
- Não. Por favor, não posso morrer – clamava a ave, desesperada.
O Sapo-Cururu dá um salto para frente, espumando de raiva.
- Tem que morrer, sim. Aposto que nem sabe a conta de quantos de nós já foram para o seu papo.
- Isso mesmo! Não podemos deixar esse bicho escapar com vida – assegura o Papagaio, furioso.
O Caxinguelê, depois de pensar um pouco.
- Companheiros, acalmem-se. Precisamos agir com sabedoria. Matar o Gavião é pagar um crime com a mesma moeda.
E voltando-se para o predador:
- Bem que um traste como você merecia morrer mesmo. Assim vai desaparecer da nossa vida para sempre.
- Não. Não façam isso comigo. Prometo sumir da região para nunca mais voltar. Juro de pés juntos! Pela vida de meus filhos... – assegurava a ave de rapina.
Sem saber o que fazer o Caxinguelê resolveu consultar a população de bichos ao redor:
- Companheiros e Companheiras, podemos confiar nas palavras desse mequetrefe?
Depois de um momento de silêncio, o Preá deu seu palpite:
- Como somos da paz, podemos até concordar em soltar essa coisa ruim. Mas só depois dele penar um bom tempo preso nesse laço para aprender a respeitar a vida dos outros.
A Maritaca também palpita:
- Pensando bem, melhor soltar o infeliz. Do jeito que está, mais parecido com um frango de açougue, vai alertar seus companheiros a cair fora do nosso território.
Com o apoio da grande maioria, o Gavião-Mateiro foi absolvido da pena de morte. Então, o Caxinguelê dá sinal ao ratinho para roer o cipó que prendia as pernas do prisioneiro. Solto, o Gavião salta para trás, sacode o restinho de penugem que sobrou no corpo, gira e, sem olhar para trás, sai correndo mais do que podia para se esconder no meio do mato.
Os bichinhos perseguidos, contentes com o final patético do Gavião Mateiro, comemoravam a certeza de que não seriam mais perturbados por aquela ave do mal. De cima das árvores, ora se balançando ligeiro em corda de Cipó-Cruz ora pendurado nos galhos de um pé de Jequitibá, de uma Peroba-Rosa ou de uma Sucupira, o moleque Mico-Saguim dava pinotes de alegria, festejando a derrota do Gavião-Mateiro.
Num outro galho, a Pomba-rola, arrulhava a vitória:
- Fogo apagou... Fogo apagou...
- Bem-te-vi... Bem-te-vi... Bem-te-vi... - confirmava o pássaro sentinela final feliz para os bichos da Mata da Tijuca.
A Maria-Preta também repicava, pousada no olho do coqueiro:
- Tiau-chiii... Tiau-chiiiii... Tiau-chiiiiiiiii...
No céu, imponente e bela, uma velha Gralha atravessava a floresta, grasnando.




FBN© 2008 * O GAVIÃO-MATEIRO E O CAXINGUELÊ/Categoria: Conto Infantil – Autor: Welington Almeida Pinto. Nova redação, de acordo com os atuais PCNs, recontextualizando o texto original do livro publicado com o nome A Águia e o Coelho, em 1993 - Edições Brasileiras. Ilust.:  https://www.youtube.com/watch?v=OWqe4HVcyBI   Link: http://outrashistoriasdebichos.blogspot.com.br/2008/08/o-gato-do-mato-e-o-pre.html


 

Conquistando a Linguagem

Compreensão do texto

 

 

Atividades/Resposta em folha anexa:


Atividades: desenhar ou colar gravura dos bichos: Caxinguelê, Jiboia, Gavião, João Graveto e Bem-te-vi.
1) Faltaram outros bichos na galeria de retratos? Quais?
2) Quais outros bichos da fauna nacional você conhece? Cite todos que lembrar.
3 ) O texto diz ... ‘caíram de unhas, dentes e bicos em cima do prisioneiro’. Que bicho atacou de unhas, de bico ou de dentes.
4) Pesquise a origem de cada bicho que aparece na história?
5) Você achou perfeito o plano para aprisionar o inimigo? Bole outro e escreva.
6) A união faz a força. Certo ou errado? O Caxinguelê sozinho daria conta de combater o gavião?
7) Pesquise mais sobre a Floresta Nacional da Tijuca, fundada em 1871, e descubra porque é o nicho florestal urbano mais visitado do país.

Para a Professora
Reflexão: Impossível é expressão inventada pelos fracos - Olavo Bilac
Motivação - leia o verso abaixo para a classe:
Ninguém liberta ninguém/Ninguém se liberta sozinho/ Os homens se libertam em conjunto - Paulo Freire

Gramática: explicação para aplicar as palavras: mau e mal.


* CONVERSE com os alunos sobre a união numa comunidade. Fale sobre a antiga Lei de Talião: dente por dente, olho por olho. Leve a classe para visitar a Assembleia Legislativa ou a Câmara dos Vereadores e peça a um parlamentar para falar de Democracia.


Vocabulário: selecione verbetes desconhecidos e oriente a consulta no Dicionário.


Educação ambiental: Fale sobre meio ambiente, sobre a fauna nacional e defesa do meio ambiente.


** PCNs: história de acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ministério da Educação, certificada pela Diretoria de Desenvolvimento da Educação Infantil e Fundamental da Secretaria de Estado da Educação de Minas Gerais, conforme ofício nº 39/02, de 22 de janeiro de 2002.


GÊNERO: aventura.


TEMAS TRANSVERSAIS: ética: caça pela sobrevivência – relacionamento entre animais. * Geografia e Ciências: espécies animais e vegetais do Brasil. * Português: diversidades das línguas e dos costumes.


TODOS JUNTOS


Não parece grande coisa /Vamos ver o que é que dá /Esperteza. Paciência. Lealdade /Teimosia/E mais dia menos dia/A lei da selva vai mudar/Todos juntos somos fortes/Somos flecha e somos arcos/Todos nós no mesmo barco/Não há nada a temer/Ao meu lado há um amigo/Que é preciso proteger/Todos juntos somos fortes/Não há nada a temer
- Sérgio Bardotti