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Contos de Tinga Tinga
Welington
Almeida
Pinto
CLIN-CLIN, O BEIJA-FLOR MÁGICO
Welington
Almeida
Pinto
Era uma vez um beija-flor de cauda muito longa, azul como um pequenino
Quetzal das terras dos antigos Astecas. De tão nobre e formoso foi batizado por
uma fada madrinha pelo nome de Clin-Clin.
Além do porte real, o beija-flor tinha também poderes mágicos. Entre
eles, o de curar uma flor de qualquer mal, tanto do corpo vegetal como da alma
floral.
Certo dia, ao se aproximar de uma Margarida do Campo, foi grosseiramente
rejeitado pela flor:
- Afaste-se, não gosto que bicho nenhum me beije.
Assustado o pássaro, imediatamente, recua-se.
- Assim que recebe um
beija-flor, querida?
- Não estou nem aí! Detesto beija-flores – confessa a plantinha,
aborrecida.
- Posso saber por quê?
A Margarida revira a haste, num gesto de pouco caso. Clin-Clin pergunta:
- Não sente amor pelos beija-flores?
- Não. Não sinto nada. Nadinha de nada.
- Brrr... Pois então não sabe o bem que podemos fazer ao coração das
flores.
- Deixa de ser convencido. E me deixe em paz, seu abelhudo.
– Fala sério?
- Sim. Quer saber, odeio tudo nessa vida, principalmente os chatos –
detona a flor, mais irritada ainda.
- Arre!
- Chega de baboseira. Vai logo dando o fora.
Era tudo o que Clin-Clin não queria
ouvir. Um Lírio, ao lado, se intromete na conversa:
- Deixe de ser bobo, Clin-Clin, não perca tempo com essa desaforada. É
uma tola, não vê?
- Ela está doente?
- Não sei. Mas vive assim de cara amarrada o tempo todo.
- Verdade?
- Chiiiiiiiiiiiii!... Cansa minha beleza!
O beija-flor pensa um pouco e resolve voltar outro dia. No momento em
que se preparava para o voo de partida, o Lírio sorridente pede:
- Antes de ir embora, quero outro beijo.
- Claro!
Clin-Clin beija o Lírio, a Macela e todas as flores ao redor. E, fazendo
acrobacias no ar, sai da área a toda velocidade, mas com o pensamento
embaralhado. A Margarida do Campo, ao ver a ave sumir no horizonte, suspira
aliviada:
- Já vai tarde, seu enxerido!
Esperto até não poder mais, em vez de
ir para casa, Clin-Clin voa para o castelo de Glinda, a mais encantadora das
fadas daquela época, que recebe o passarinho com alegria:
- Bom dia, meu estimado beija-flor.
- Bom dia, minha bela madrinha.
- Que bons ventos trazem você ao meu reino?
- Um probleminha com uma Margarida do Campo.
- Ela anda aborrecendo você, não é?
- Muito.
- Eu posso imaginar.
- Nem dos raios de sol, nem dos passarinhos ela gosta mais.
Glinda, depois de pensar um pouco.
- Quer saber por quê?
- Sim.
- Ela se acha feia, jururu.
- Feia?
- Ao beijá-la pensa que você está zombando de sua triste figura.
O colibri, com cara de surpresa:
- Puxa! Nunca pensei nisso.
- Pois é.
- O que posso fazer por ela?
- Ó, querido pássaro, quando essas ideias malucas perturbam o coração de
uma flor só existe uma receita.
- Qual?
- Paciência, sabedoria e muito afeto.
- Ah, é?
- Isso mesmo.
- Obrigado pela dica. Então, devo ir.
- Assim tão rápido?
- Outras flores me esperam. Tiau. Tiau. Até outro dia, querida madrinha.
- Adeus, meu anjinho alado.
Satisfeito por descobrir o mal que perturbava a vida daquela flor, na
manhã seguinte, Clin-Clin retorna ao campo florido e logo procura a Margarida
do Campo. Ao se aproximar dela, novamente foi recebido com a mesma ousadia.
- Bicho xereta, suma da minha frente – diz logo a flor.
Clin-Clin espantou-se mais ainda, mas manteve a calma, dizendo:
- Gostaria de conversar com você, posso?
- Nem pense. Estou por aquiiiiiiiii com esses beijoqueiros.
- Imagino.
- Só me procuram para caçoar. Acha que sou tola?
- Ó, querida flor, você está muito enganada.
- Háháhá! Digo a verdade mais verdadeira do mundo.
- Nada disso.
- É isso mesmo. Nem flor eu sou.
- Não?
- Pareço, mas não sou. Veja como são mixurucas as pétalas que me vestem.
Não passo de um raminho qualquer.
- Não é verdade. Cada planta, cada animal tem sua importância no
universo da natureza, viu?
A Margarida do Campo, mais inquieta, retorquiu:
- Você deve ser mesmo um beija-flor doente dos olhos. Enxerga mal.
- Hein?
- Até entendo, prezado pássaro. Minhas pétalas, alvíssimas como são, ferem
a vista de quem me olha.
- Nada disso.
- Pelo que eu vejo uma flor tem de ser bem colorida e pétalas bem perfiladas
e vistosas.
- Nem sempre, querida. Você é perfeita e delicada como o Lótus trajado em
sua beleza branca.
- Troçando de mim mais uma vez?
O beija-flor insiste:
- Suas pétalas brancas são tão puras que nenhuma outra flor possui
igual, até parecem cobertas de prata. Na corola, possui o tom mais vivo que a
cor amarela já produziu. Tudo como se fosse revestida de ouro.
A Margarida fica pensativa por alguns momentos, depois olha para o
beija-flor e diz:
- Fala bonito assim só para me cativar, não é mesmo?
- Nada disso. Você é uma linda flor, charmosa como nenhuma outra por
aqui.
- Jura?
- Juro.
- Então, me acha bonita de verdade?
- Sim.
A flor branca se emociona e começa a soluçar. Chora tanto que suas
pétalas caem todas no chão. Despetalada e murcha de tristeza, ela entra em pânico.
- Santo Deus, que frio! Ai, como eu vou viver sem minhas pétalas? Desse
jeito posso morrer congelada ou queimada pelos raios solares.
- Calma, calma...
Chocada e o coração aos pulos, ela pede a Clin-Clin:
- Quero minhas pétalas de volta.
- Fique calma que num minuto terá suas pétalas de volta – garante o
beija-flor.
- Sério?
- Serio.
Clin-Clin tira a varinha de condão escondida na plumagem, bate com ela
três vezes no caule da Margarida do Campo e, num instante, pétala por pétala
retorna ao seu lugar.
Vestida novamente, a flor se emociona:
- Nossa, que chique!
- Viu como suas pétalas são importantes?
- Agora eu sei.
- Promete cuidar bem delas e tirar de sua cabecinha os pensamentos
ruins?
- Sim, prometo.
E depois de refletir mais um pouquinho:
- Clin-Clin, esse gesto de bondade e tolerância jamais se apagará de
minhas lembranças, viu?
- Assim é melhor, preciosa flor. Agora, vou beijá-la e partir.
A Margarida transbordando polens:
- Quantos beijos você queira, amado pássaro!
- Que romântico! - suspira uma Flor
de Jade ao lado, fresca e risonha.
Nesse dia, uma alegria contagiante invadiu o íntimo de todas as flores
da redondeza. A Margarida do Campo, toda branquinha e cheirosa, voltou a
relampear ao sol, convencida de seus dotes.
E assim, ela viveu muitos e muitos anos de bem com a vida, irradiando
amor por todas as pétalas.
FBN© 2008 * CLIN-CLIN, O BEIJA-FLOR MÁGICO/Categoria: Conto Infantil – Autor: Welington Almeida Pinto. Nova redação, de acordo com os atuais PCNs, recontextualizando o texto original do livro publicado com o nome “Clin-Clin, o Beija-flor Mágico”, em 1993 - Edições Brasileiras – Página na internet: http://outrashistoriasdebichos.blogspot.com.br/2008/08/tuffi-o-elefante-que-veio-do-circo_31.html
Folha
anexa
CONQUISTANDO A LINGUAGEM
Compreensão do texto
Compreensão do texto
Atividades/Responda em folha anexa:
1) Copie o trecho em que Clin-Clin pede ajuda
à fada Glinda, acrescentando palavras novas.
2) Qual a verdadeira função de um beija-flor na Natureza? Pesquise e monte um painel com desenhos e gravuras.
3) Transcreva os trechos em que Clin-Clin foi amável com a margarida do campo.
5) Por que a flor chorou?
6) Invente uma história, tendo Clin-Clin como personagem principal.
Para a Professora:
Reflexão:
2) Qual a verdadeira função de um beija-flor na Natureza? Pesquise e monte um painel com desenhos e gravuras.
3) Transcreva os trechos em que Clin-Clin foi amável com a margarida do campo.
5) Por que a flor chorou?
6) Invente uma história, tendo Clin-Clin como personagem principal.
Para a Professora:
Reflexão:
“Sentei-me sob uma macieira em flor.
Aspergiu-me com seu perfume. Fez chover sobre mim suas flores. Entretanto, não
me lembro de tê-la algum dia regado com uma gota de água sequer, nem lhe ter
jamais trazido um punhado de adubo” - fragmento de um texto de Mikail Naaimé.
Motivação:
Motivação:
*Peça aos alunos para contar uma situação
engraçada com relação a uma flor.
* Promova leitura dialogada. Escale crianças para representar a historinha em forma de jogral.
* Vocabulário: selecione os verbetes desconhecidos e oriente os alunos a consultar no Dicionário
* Educação Ambiental: Mostre aos alunos a luta da Natureza para perpetuar a vida. Converse sobre a importância em respeitar até um simples ramo de mato - cada animal, cada plantinha, cada poço de água que brota da terra tem um imenso significado no equilíbrio do mundo natural.
* Promova leitura dialogada. Escale crianças para representar a historinha em forma de jogral.
* Vocabulário: selecione os verbetes desconhecidos e oriente os alunos a consultar no Dicionário
* Educação Ambiental: Mostre aos alunos a luta da Natureza para perpetuar a vida. Converse sobre a importância em respeitar até um simples ramo de mato - cada animal, cada plantinha, cada poço de água que brota da terra tem um imenso significado no equilíbrio do mundo natural.
PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS/PCNs
História de acordo com os Parâmetros
Curriculares Nacionais do Ministério da Educação, certificada pela Diretoria de
Desenvolvimento da Educação Infantil e Fundamental da Secretaria de Estado da
Educação de Minas Gerais, conforme ofício nº 39/02, de 22 de janeiro de 2002.
GÊNERO: aventura.
TEMAS TRANSVERSAIS:
GÊNERO: aventura.
TEMAS TRANSVERSAIS:
Ética: pássaros em
comunidade. * Geografia e Ciências: espécies animais e vegetais do Brasil