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Disney
Welington Almeida Pinto
Numa
linda manhã de Verão, Tuffi tomava banho na Lagoa dos Bichos, quando sentiu uma
leve bicada numa das orelhas. Era Clin-Clin, o beija-flor, que acabava de
chegar.
-
Olá... Tuffi, como estás?
O
elefante ergueu a tromba, todo risonho:
-
Olá! Está tudo bem.
-
Novidades?
-
Tenho. Voltei a ensaiar um número que apresentava no circo.
-
Qual?
- O
das garrafinhas de madeira. Ainda consigo equilibrar-me em cima delas,
acreditas?
-
Hummmm! Devem ser uns garrafões bem grandes para aguentar o teu peso, certo?
-
Nada disso, garrafinhas assim..., assim... do tamanho das garrafas de
refrigerantes, só que de madeira.
-
Boa! E como suportam um animal tão pesado?
- Em
pé, aguentam até mais do que o peso de um elefante.
-
Xiiiii, porquê?
-
Queres saber?
-
Claro.
- O
segredo está no desenho da garrafa. Sabias que todo o objecto cortado no
sentido da fibra da madeira fica mais resistente?
-
Não, não sabia. Gostei de saber, mas ainda não estou totalmente convencido.
-
Pois bem, amigo, queres ver a minha apresentação?
O
beija-flor balança o rabo, num gesto de desconfiança.
-
Quero. Só vendo para acreditar.
-
Vamos lá.
Tuffi enche a tromba de água e esguicha o líquido no seu corpo,
como se fosse um chuveirinho. O beija-flor, ainda pousado numa das orelhas do
elefante, acha muita graça do jeito desengonçado do amigo tomar banho. Em
seguida, com a tromba em pala protegendo os olhos do sol, o elefante chama o
passarinho para ir até o pátio, onde treina a arte circense.
Ao chegar lá, Clin-Clin observa mais uma vez:
-
Ainda acho que um bicho do teu tamanho deve manter as patas no chão. Mais
seguro, não achas?
-
Ah, é? Falas assim porque nunca me viste num picadeiro de circo; fazia o maior
sucesso com essa apresentação.
-
Nem consigo imaginar...
-
Garanto que vais gostar.
Na
floresta não faltava público para ver o elefante artista. Bastava ele chegar ao
pátio que logo apareciam os bichinhos das redondezas: alados, da terra; até
mesmo os curiosos que passavam no momento. E assim, os felizes espectadores,
cada um lutando por um bom lugar para assistir ao show, acocoravam-se nos barrancos, nas pontas das pedras ou se
acomodavam nas ramagens da clareira. E se algum ramo balançava com mais força,
o motivo era outro: lutas entre passarinhos ou saguis acostumados a zangar-se
por um lugar melhor para ver o espectáculo.
Em
pouco tempo, Tuffi dispõe as garrafinhas na parte mais plana do terreno, como
se fosse o lugar do picadeiro. E, com pose de artista, começa a anunciar:
-
Respeitável público!... A todos que me assistem, bem-vindos ao mundo fantástico
do circo, o número vai começar!
Depois
de ouvir o elefante, os bichos ficam caladinhos cheios de expectativas. Nenhum
pia. Nenhum grunhe, nem crocita, porque qualquer barulho poderia atrapalhar a
concentração do elefante acrobata. Satisfeito com tudo, ele começa fazendo um S delicado com a tromba e,
após a aclamação, com a destreza surpreendente em um animal tão
grannnnnnnnnde..., suspende uma das patas dianteiras e coloca-a sobre o bico da
primeira garrafa na sua frente. Em seguida, com a mesma habilidade e elegância,
põe a outra sobre a segunda garrafa e conclui a primeira parte da exibição.
A plateia
delira e aplaude novamente o artista; cada um de sua maneira, é claro. O
paquiderme, para agradecer, balança a tromba várias vezes no ar. E, em seguida,
anuncia:
- Atenção!
Atenção! Ilustres espectadores, esse é o momento mais difícil do meu número.
O
silêncio volta em todo o pátio. E cresce a expectativa entre os bichinhos que
esticavam mais ainda o pescoço para melhor apreciar a cena final. Então, com
aquela destreza de quem já trabalhou muitos anos no circo, Tuffi pousa uma das
patas traseiras sobre o gargalo da terceira garrafa e, logo depois, completa a
cena. Um sucesso! A plateia entusiasmada torna a aclamar calorosamente o
elefante equilibrista.
Eufórico,
do alto das garrafinhas, ele grita:
-
Viva o circo! Viva a alegria! Viva a vida!
Clin-Clin,
de bico caído, aproxima-se do companheiro:
-
Meu Deus! Nunca vi nada mais bonito!
- Eu
não disse que ias gostar!
-
Nem sei como agradecer. Foi maravilhoso, amigo. Fan-tás-ti-co!!!
-
Venci desafios. Para um velho elefante precisei de muita força de vontade para
superar um a um. Óptimo, não é?
- É
sim. Aposto que, com esse talento, vão contratar-te outra vez para um circo.
-
Quem sabe? Agora, podemos voltar à lagoa e comemorar... o que achas, Clin-Clin?
-
Boa!
Com
a mesma agilidade, o rugoso animal desce das garrafinhas de madeira e o
beija-flor voa para uma de suas orelhas. Assim, os dois voltam a se banhar na
lagoa, acompanhados por uma procissão de bichos fãs do elefante e embalados
pelo “cricricri” metálico de uma revoada de grilos.
Na
transparência das águas, onde os raios de sol deitam faíscas de prata, Tuffi e
Clin-Clin passam o resto do dia divertindo-se com os animais de outras espécies
numa festa cheia de alegria e muitas brincadeiras e recordando sempre as
palavras:
-
Venci desafios. Para um velho elefante precisei de muita força de vontade para
superar um a um. Óptimo, não é? ”
FBN© 2004 * Tuffi, o Elefante Equilibrista/Categoria: Conto infantil – Autor: Welington Almeida Pingo - Versão para Portugal, adequada pela escritora Tereza Pombo/Lisboa – Link: http://outrashistoriasdebichos.blogspot.com.br/2008/08/felicidade-aqui.html