2008-08-29

03/III - TUFFI, O ELEFANTE EQUILIBRISTA - VERSÃO PARA PORTUGAL


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Disney

DUMBO – ELEFANTES COR DE ROSA

https://www.youtube.com/watch?v=Gd4WJeAs4wk

 

                            
 
 
Welington Almeida Pinto
 
Numa linda manhã de Verão, Tuffi tomava banho na Lagoa dos Bichos, quando sentiu uma leve bicada numa das orelhas. Era Clin-Clin, o beija-flor, que acabava de chegar.
- Olá... Tuffi, como estás?
O elefante ergueu a tromba, todo risonho:
- Olá! Está tudo bem.
- Novidades?
- Tenho. Voltei a ensaiar um número que apresentava no circo.
- Qual?
- O das garrafinhas de madeira. Ainda consigo equilibrar-me em cima delas, acreditas?
- Hummmm! Devem ser uns garrafões bem grandes para aguentar o teu peso, certo?
- Nada disso, garrafinhas assim..., assim... do tamanho das garrafas de refrigerantes, só que de madeira.
- Boa! E como suportam um animal tão pesado?
- Em pé, aguentam até mais do que o peso de um elefante.
- Xiiiii, porquê?
- Queres saber?
- Claro.
- O segredo está no desenho da garrafa. Sabias que todo o objecto cortado no sentido da fibra da madeira fica mais resistente?
- Não, não sabia. Gostei de saber, mas ainda não estou totalmente convencido.
- Pois bem, amigo, queres ver a minha apresentação?
O beija-flor balança o rabo, num gesto de desconfiança.
- Quero. Só vendo para acreditar.
- Vamos lá.
Tuffi enche a tromba de água e esguicha o líquido no seu corpo, como se fosse um chuveirinho. O beija-flor, ainda pousado numa das orelhas do elefante, acha muita graça do jeito desengonçado do amigo tomar banho. Em seguida, com a tromba em pala protegendo os olhos do sol, o elefante chama o passarinho para ir até o pátio, onde treina a arte circense.
Ao chegar lá, Clin-Clin observa mais uma vez:
- Ainda acho que um bicho do teu tamanho deve manter as patas no chão. Mais seguro, não achas?
- Ah, é? Falas assim porque nunca me viste num picadeiro de circo; fazia o maior sucesso com essa apresentação.
- Nem consigo imaginar...
- Garanto que vais gostar.
Na floresta não faltava público para ver o elefante artista. Bastava ele chegar ao pátio que logo apareciam os bichinhos das redondezas: alados, da terra; até mesmo os curiosos que passavam no momento. E assim, os felizes espectadores, cada um lutando por um bom lugar para assistir ao show, acocoravam-se nos barrancos, nas pontas das pedras ou se acomodavam nas ramagens da clareira. E se algum ramo balançava com mais força, o motivo era outro: lutas entre passarinhos ou saguis acostumados a zangar-se por um lugar melhor para ver o espectáculo.
Em pouco tempo, Tuffi dispõe as garrafinhas na parte mais plana do terreno, como se fosse o lugar do picadeiro. E, com pose de artista, começa a anunciar:
- Respeitável público!... A todos que me assistem, bem-vindos ao mundo fantástico do circo, o número vai começar!
Depois de ouvir o elefante, os bichos ficam caladinhos cheios de expectativas. Nenhum pia. Nenhum grunhe, nem crocita, porque qualquer barulho poderia atrapalhar a concentração do elefante acrobata. Satisfeito com tudo, ele começa fazendo um S delicado com a tromba e, após a aclamação, com a destreza surpreendente em um animal tão grannnnnnnnnde..., suspende uma das patas dianteiras e coloca-a sobre o bico da primeira garrafa na sua frente. Em seguida, com a mesma habilidade e elegância, põe a outra sobre a segunda garrafa e conclui a primeira parte da exibição.
A plateia delira e aplaude novamente o artista; cada um de sua maneira, é claro. O paquiderme, para agradecer, balança a tromba várias vezes no ar. E, em seguida, anuncia:
- Atenção! Atenção! Ilustres espectadores, esse é o momento mais difícil do meu número.
O silêncio volta em todo o pátio. E cresce a expectativa entre os bichinhos que esticavam mais ainda o pescoço para melhor apreciar a cena final. Então, com aquela destreza de quem já trabalhou muitos anos no circo, Tuffi pousa uma das patas traseiras sobre o gargalo da terceira garrafa e, logo depois, completa a cena. Um sucesso! A plateia entusiasmada torna a aclamar calorosamente o elefante equilibrista.
Eufórico, do alto das garrafinhas, ele grita:
- Viva o circo! Viva a alegria! Viva a vida!
Clin-Clin, de bico caído, aproxima-se do companheiro:
- Meu Deus! Nunca vi nada mais bonito!
- Eu não disse que ias gostar!
- Nem sei como agradecer. Foi maravilhoso, amigo. Fan-tás-ti-co!!!
- Venci desafios. Para um velho elefante precisei de muita força de vontade para superar um a um. Óptimo, não é?
- É sim. Aposto que, com esse talento, vão contratar-te outra vez para um circo.
- Quem sabe? Agora, podemos voltar à lagoa e comemorar... o que achas, Clin-Clin?
- Boa!
Com a mesma agilidade, o rugoso animal desce das garrafinhas de madeira e o beija-flor voa para uma de suas orelhas. Assim, os dois voltam a se banhar na lagoa, acompanhados por uma procissão de bichos fãs do elefante e embalados pelo “cricricri” metálico de uma revoada de grilos.
Na transparência das águas, onde os raios de sol deitam faíscas de prata, Tuffi e Clin-Clin passam o resto do dia divertindo-se com os animais de outras espécies numa festa cheia de alegria e muitas brincadeiras e recordando sempre as palavras:
- Venci desafios. Para um velho elefante precisei de muita força de vontade para superar um a um. Óptimo, não é? ”

FBN© 2004 * Tuffi, o Elefante Equilibrista/Categoria: Conto infantil – Autor: Welington Almeida Pingo - Versão para Portugal, adequada pela escritora Tereza Pombo/Lisboa – Link: http://outrashistoriasdebichos.blogspot.com.br/2008/08/felicidade-aqui.html